quinta-feira, 20 de julho de 2017

Falando sobre avaliação


Na escola onde trabalho entendemos por avaliação o processo de acompanhar e refletir sobre a prática cotidiana buscando caminhos alternativos para a melhoria na qualidade do atendimento das crianças e do funcionamento da instituição de modo geral.
A avaliação possibilita a reflexão e as discussões acerca do planejamento, das práticas pedagógicas constitutivas, delineando novos caminhos, ressignificando, qualificando, sensibilizando e inspirando a construção coletiva. Revela a identidade, as narrativas de vida que cada criança constitui ao fazer suas descobertas de mundo, estando intrinsecamente ligada as suas conquistas, trajetória frente aos desafios e possibilidades, o que a subjetiva enquanto sujeito, legitimando dessa forma o processo avaliativo.
 Acreditamos que para nortear e potencializar as aprendizagens dos sujeitos envolvidos no processo educativo é necessário discutir, acompanhar e analisar os documentos escolares, tais como o Projeto Político Pedagógico e os Planos de Estudos. Sendo assim, torna-se indispensável um procedimento diagnóstico, contínuo, participativo, que envolva todos os segmentos que compõem o ambiente escolar.
Em nossa escola, o processo de avaliação das crianças ocorre através das observações e reflexões permanentes sobre as manifestações de cada uma respeitando o princípio de atenção à diversidade, utilizando-se de diários de aula, o livro da história da turma, planilhas, fotografias, gravações, entrevistas, debates, acompanhamento coletivo do trabalho, agenda escolar, auto-avaliação, análise das produções, conselhos de classes acompanhando as formas de expressão e do envolvimento durante o processo educativo, sendo feitos através de registros sistemáticos da evolução das crianças, em conformidade com os critérios e objetivos estabelecidos para cada faixa etária, centrando naquilo que as crianças são capazes e não no que lhes falta.
Da mesma forma, vivenciamos a avaliação com todos os segmentos da escola e para isso, são organizadas e planejadas as seguintes etapas:



Momento de conversa com as famílias:
A escola oportuniza dois momentos de reuniões individuais com os pais e/ou
responsáveis, juntamente com os professores titulares de cada turma.
O primeiro ocorre na metade do 1º semestre e o seguinte na metade do 2º semestre, e ambos têm por objetivo estabelecer um vínculo com as famílias e dialogar sobre as propostas desenvolvidas.
Além desses momentos, quando ocorre a necessidade por parte da família ou da escola, são agendadas reuniões individuais.


Pré-conselho com os alunos:
 Anterior ao conselho de classe com os professores e equipe diretiva, ocorre um momento com cada turma, onde a diretora e a coordenadora pedagógica desenvolvem uma dinâmica, na qual os alunos participam relatando as suas percepções do espaço escolar.


Conselho de classe participativo com as famílias, professores e equipe diretiva:
Com o intuito de que comunidade escolar possa contribuir com o processo avaliativo, a escola oportuniza um momento de diálogo entre pais e/ou responsáveis, professores e equipe diretiva a cada semestre letivo.
Neste momento refletimos sobre as práticas educacionais que envolvem o ambiente escolar, levando em consideração a opinião de todos.
Da mesma forma, cada família e/ou responsável recebe uma pesquisa de avaliação para responder, pois consideramos que a participação da família no processo de construção e avaliação do conhecimento é muito importante.

Conselho de classe com professores e equipe diretiva:
Este momento ocorre uma vez a cada semestre, com a participação dos professores titulares da turma e a equipe diretiva e ao menos um professor de
projeto. Nesta situação dialogamos sobre cada criança no seu processo de
construção do conhecimento. São considerados também os registros e observações realizados pelos professores dos projetos. Da mesma forma, esse momento oportuniza a criação de estratégias por parte dos envolvidos, respeitando a individualidade de cada criança.


Momento de avaliação coletiva
Durante o ano letivo ocorrem momentos de reuniões com professores, funcionários e equipe diretiva para dialogarmos sobre os diferentes processos que envolvem o todo do ambiente escolar.
 Momento de avaliação institucional
A avaliação institucional é realizada através de diálogos dos professores e funcionários no decorrer do ano letivo com a equipe diretiva bem como uma avaliação escrita no final do primeiro semestre e no final do ano, referente a todos os aspectos escolares, a fim de futuras intervenções e melhorias na escola (pessoal eestrutural).


Avaliação da turma
Este momento ocorre duas vezes ao decorrer do ano, onde é elaborada uma pauta pela coordenadora pedagógica, sendo analisada a rotina da turma, discutindo estratégias, conversando sobre o desenvolvimento geral da turma ao decorrer do semestre e pontuando alguns casos específicos. Participam deste momento os professores titulares da turma e a coordenadora pedagógica responsável pela mesma. Durante os encontros que são realizados para dialogarmos sobre o planejamento, as propostas de ensino e aprendizagem, as avaliações das crianças, são registrados os assuntos tratados em atas de atendimento para que possamos realizar anotações sobre as combinações estabelecidas nestes encontros, fortalecendo a parceria entre equipe diretiva e professor ou funcionário. 
Autoavaliação
A autoavaliação é realizada ao final de cada ano letivo, onde todos os profissionais da escola têm a oportunidade de refletir sobre sua prática, sendo assim o profissional o autor deste processo avaliativo. 
 
Referência:
LIMA, Iana Gomes de; GOLBSPAN, Ricardo Boklis. O Sistema Estadual de Avaliação Participativa na educação estadual do Rio Grande do Sul: contribuições para o desenvolvimento de uma gestão escolar democrática. Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2027848/mod_resource/content/1/O%20Sistema%20Estadual%20de%20Avalia%C3%A7%C3%A3o%20Participativa%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o.pdf Acesso em: 20 de julho de 2017.
Vídeo – Avaliação na Educação Infantil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=162&v=A74gphe1nT4 Acesso em: 20 de julho de 2017.




PPP - Processo de tomada de decisões democráticas


A decisão e o comprometimento de registrar o Projeto Político Pedagógico em documento próprio na escola são aspectos fundamentais, desta forma, todos se tornam responsáveis porque participam a partir de um ideal. Participam de um processo de tomada de decisões democrática.
A construção do mesmo se dá de forma coletiva, a partir de reuniões administrativas, reuniões pedagógicas, reuniões com pais, questionários, diálogos com os alunos, encontros do corpo docente na escola, leitura de livros, polígrafos, documentos, leis e pareceres.
O Projeto Político Pedagógico aponta novas alternativas, define objetivos, metodologias, descobre potencialidades e oferece autonomia à escola, ao mesmo tempo em que é vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos no processo educativo.
Sabemos que o momento de construção e implementação poderá gerar conflitos, evidenciando-se limitações, rupturas, tomada de decisões, momentos de estudo e reflexão da prática realizada e da prática que almejamos realizar. Este documento tem como objetivo principal reunir o olhar de todos os segmentos envolvidos no processo educativo com intuito de planejar o que temos a intenção de fazer e avaliar o que estamos fazendo até o momento.

Referência:
SILVA, Maria Beatriz Gomes da; BAIRROS, Mariângela Silveira. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E REGIMENTO ESCOLAR: ESPAÇOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DEMOCRÁTICA. Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2010317/mod_resource/content/2/PPP.pdf Acesso em: 19 de julho de 2017.

Vídeo - Nós da Educação - Ilma Passos Alencastro Veiga. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=21&v=k_I6M3lW6ss Acesso em: 19 de julho de 2017.

 


terça-feira, 18 de julho de 2017

Continuar Acreditando!

A partir das conversas em relação aos conceitos estruturantes, como coloquei no fórum, mais uma vez afirmo que percebo diariamente na escola em que trabalho uma Gestão Democrática a partir das seguintes ações, professoras tem total autonomia em relação às práticas desenvolvidas nas salas de atividades, são ouvidas quando surgem dúvidas, e recebem apoio quando necessário vejo valorização, seguidamente somos parabenizadas pelas ações realizadas.
Em relação a conflitos, sempre surgem, e cada caso é tratado de forma singular, sendo a maioria das vezes sigiloso, com ética, para preservar as partes envolvidas.
A comunidade escolar, professores e funcionários participam das decisões, são convidadas a contribuírem, inclusive nos momentos em que vem a verba, na qual é colocado uma lista a disposição para colocarmos o que é necessário comprar, e a partir das sugestões é feito uma votação para o que achamos mais urgente.  
A comunidade é tratada como um parceiro constante da escola, é acolhida, respeitada e valorizada, cada família com sua singularidade. Por várias vezes a diretora sem citar nomes, nos colocou a par de algumas situações de urgência destas, sendo necessário o apoio voluntário da equipe escolar, que sempre fez questão de ajudar.  
Também são disponibilizadas em nossos murais, além das informações, como cardápios, calendário, reuniões entre outras, e dos bilhetes enviados nas agendas, são expostas quinzenalmente algumas atividades realizadas pelas turmas, para que os familiares possam acompanhar e valorizar as construções realizadas pelas crianças.
Não estou afirmando que a escola é totalmente democrática ou perfeita, mas percebo que todas são responsáveis e participam coletivamente a partir de um ideal, pelo que acham melhor para todos que compõem o grupo escolar, e para os próximos que virão a compor. Mudanças sempre são necessárias, temos consciência disso!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

O terror chamado Avaliação!

Durante algum tempo a avaliação para mim foi como um “mostro”, que medo!

Atualmente quando chega esse período na escola, já não fico mais tão nervosa como antes, até falo que gosto de fazer, de escrever sobre as vivências das crianças.

Mas confesso que esse tema ainda me inquieta bastante, principalmente quando surgem conversas a respeito, e algumas pessoas fazem suas colocações, que é totalmente diferente do que você acredita.

Em primeiro lugar falar em avaliação, é falar sobre relatórios de avaliação e não de parecer descritivo. Pois os relatórios são as histórias de vida das crianças, e o parecer é o que parece ser. Como assim parece, me pergunto  como vou dar um parecer se os que as crianças vivenciam são as experiências que proporcionamos através de diversos repertório que elas nos indicam a partir de suas falas e ações.

E se acredito que elas aprendem com o meio e com o outro, como posso julgar esses momentos de aprendizagens, dizendo o que fez ou não fez, que está certo, ou errado, se é ou não capaz.

Tenho é que me avaliar, pois para avaliar o outro preciso saber o que estou vendo, ter um olhar sensível, coletar dados, criar estratégias para ajudar nas aprendizagens.

E como diz a Mestra Jussara Hoffmann, “ter atenção ao processo de conhecimento, interpretando-as, refletindo, e investigando teoricamente razões para soluções apresentadas”. Para assim promover a criança moral e intelectualmente.

Referência:

Avaliação na Educação Infantil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=A74gphe1nT4 Acesso em: 17 de julho de 2017.

Currículo e Avaliação da Educação Infantil - Entrevista com Rita Coelho, do MEC. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YcbA384-bVQ Acesso em: 17 de julho de 2017.

Currículo e Avaliação da Educação Infantil - Entrevista com Zilma de Oliveira, da USP. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xpqCxsb6P1k Acesso em: 17 de julho de 2017.

 

domingo, 16 de julho de 2017

Professor Reflexivo

          Analisando minhas práticas, percebi que juntamente com as crianças estou refletindo a todo o momento em que as observo, que pesquiso, que elaboro a partir de suas ações para assim poder ajudá-las na construção das aprendizagens.
Através das análises que eu e a colega realizamos de nossos blogs, percebemos que minhas postagens estão melhores, pois em consenso, vimos que as de conceitos reflexivos aumentaram.
Confesso que fiquei feliz em ver as análises dela, me senti como se precisasse dessa afirmação para me convencer dos números que também analisei.
Sei que ainda preciso melhorar ler e escrever mais, pois só assim conseguirei êxito. Mas estou animada, já é um começo!
“A formação do professor reflexivo precisa ser concretizadas em estratégias que favoreçam a compreensão de si mesmo, do sentido da profissão e da sua atuação como professor”. (ALARCÃO, 1996).


Referência:
ALARCÃO, Isabel (ORG); Formação reflexiva de professores - Estratégias de Supervisão. Editora Porto; Porto; Portugal; 1996.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mudanças acontecem sim!

          Penso que por medo do novo, de errar, ou até de “passar vergonha”, muitas vezes aceitamos comportamentos limitados que são impostos pela sociedade.
Cito um exemplo: Estava assistindo uma palestra na qual todos que estavam presente eram profissionais formadas, professoras. O assunto todas dominavam de certa forma, pois foi falado coisas de nosso cotidiano dentro de sala de aula. Mas quando nos foi solicitado perguntas ou dúvidas, ninguém respondeu, fez-se um silêncio.
E após se ouve, “Bem capaz que eu ia me expor, passar vergonha”, “E se eu perguntar será que vão me achar burra?”, “Eu não tenho coragem de perguntar”.
Apesar de todas as transformações ocorridas ao longo dos anos, às vezes continuamos ligados ao um modelo tradicional e conservador que muitas vezes determina os padrões de comportamento, seja em casa ou no trabalho. Fazer sempre a mesma coisa, e ainda falar, “minha mãe me ensinou assim”, ou, “foi assim que aprendi”, e assim não aceitar a mudança, na verdade não querer mudar.
Algumas vezes nem percebemos que fazemos assim, estamos condicionados, não conseguimos enxergar além, isso faz parte da nossa cultura, de nossas vivências anteriores e/ou atual.
Mudanças podem acontecer, mas não é fácil, precisa ser construída aos poucos. Em alguns casos, é preciso ter autoestima, é querer, é acreditar em si e se permitir acreditar no outro também.
Como aconteceu comigo, nunca pensei em ter carteira de habilitação, mas a convivência com meu atual esposo, que me deu incentivo e me fez ver além, hoje tenho outro pensamento, e já estou até prestes a fazer a prova.  
Cada pessoa tem um olhar, na qual defende conforme o que vivencia e acredita.      Adriana Guerra